quarta-feira, 22 de março de 2017

O meu olhar é nítido como um girassol


Danza de girasoles - Juanjo Mediavilla *

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás… 
E o que vejo a cada momento 
É aquilo que nunca antes eu tinha visto, 
E eu sei dar por isso muito bem… 
Sei ter o pasmo essencial 
Que tem uma criança se, ao nascer, 
Reparasse que nascera deveras… 
Sinto-me nascido a cada momento 
Para a eterna novidade do Mundo… 

Creio no Mundo como num malmequer, 
Porque o vejo. Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender… 
O Mundo não se fez para pensarmos nele 
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
 
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos… 
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe porque ama, nem o que é amar… 

Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência é não pensar… 

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) - O Guardador de Rebanhos

Karunesh - The way of the heart


Postagem inspirada na entrada Sendestrocismo por el cañón del río Mesa feita pelo amigo Javier em seu blog La naturaleza que nos queda.

*La flor del girasol siempre nos atrapa. Danza al compa del viento y se deja llevar por el sol - palavras suaves de Juanjo